A catarata, opacificação progressiva do cristalino (a lente natural que fica dentro do olho), está entre as condições oculares mais cercadas de crenças populares. Em Uberaba, a Dra. Giovanna Piccinini (CRM 32619/MG | RQE 29156), oftalmologista com atuação voltada à cirurgia de catarata, ouve essas dúvidas com frequência no consultório: algumas atrasam a consulta, outras criam medo desnecessário da cirurgia ou expectativas que o tratamento não promete.
Por que existem tantos mitos sobre catarata?
Os mitos sobre catarata nascem, em boa parte, de orientações que valiam para técnicas cirúrgicas antigas e da ideia de que a catarata é só uma parte inevitável do envelhecimento. Como a opacificação costuma avançar devagar, ao longo de meses ou anos, muita gente se acostuma com a visão pior e só procura avaliação quando a rotina já está comprometida.
Outra fonte de confusão é a semelhança entre sintomas. Visão embaçada, cansaço ao ler ou desconforto diante das telas podem ter causas diferentes, e só o exame oftalmológico distingue a catarata de outras condições, como o olho seco.
O que é mito e o que é verdade sobre a catarata?
A maior parte das crenças populares sobre catarata não se sustenta diante do conhecimento clínico atual. A tabela resume os mitos mais ouvidos no consultório e o que se sabe sobre cada um; as explicações completas vêm logo abaixo.
| Mito | O que é verdade |
|---|---|
| "Catarata é uma pele que cresce sobre o olho" | A catarata fica dentro do olho, no cristalino; a "pele" sobre a superfície costuma ser o pterígio |
| "Colírio ou vitamina trata a catarata" | Nenhum tratamento clínico reverte a opacificação; o tratamento eficaz é a cirurgia |
| "Só idoso tem catarata" | A idade é o principal fator de risco, mas há catarata congênita e ligada a diabetes, corticoides ou trauma |
| "Só se opera quando está madura" | O momento de operar depende do quanto a visão já atrapalha a rotina, não de um grau extremo de opacificação |
| "A cirurgia é igual para todo mundo" | A lente e o planejamento são individualizados, a partir de exames como a biometria |
| "Depois da cirurgia, nunca mais uso óculos" | Depende da lente escolhida; com a monofocal, os óculos seguem necessários para algumas distâncias |
| "A catarata volta depois de operada" | O cristalino removido não retorna; pode haver opacificação da cápsula, tratada com laser em ambulatório |
| "Quem tem diabetes ou pressão alta não pode operar" | Doenças crônicas não impedem a cirurgia por si só; elas entram no planejamento |
| "Depois da cirurgia, nunca mais posso fazer esforço" | As restrições são temporárias, e a retomada das atividades é gradual e orientada caso a caso |
Quais mitos sobre a catarata em si ainda confundem os pacientes?
Três crenças sobre a própria doença aparecem com frequência: a de que catarata é uma "pele" sobre o olho, a de que colírios ou vitaminas podem tratá-la e a de que ela só atinge idosos. Nenhuma delas corresponde ao que se sabe sobre a catarata.
Catarata é uma "pele" que cresce sobre o olho?
Não. A catarata acontece dentro do olho, no cristalino, lente situada atrás da íris, e na maioria das vezes não pode ser vista a olho nu, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Catarata e Refrativa (BRASCRS). A "pele" que muitos pacientes confundem com catarata costuma ser o pterígio, tecido fibrovascular que avança sobre a córnea, em geral ligado à exposição solar sem proteção: uma condição diferente, com avaliação e tratamento próprios.
Colírio ou vitamina pode tratar a catarata?
Não. Não existe colírio nem medicamento capaz de reverter a opacificação do cristalino já instalada, e a BRASCRS é direta: não há tratamento clínico para a catarata, e o único tratamento eficaz é a cirurgia. Uma vez formada, a catarata não regride sozinha; a tendência natural é progredir.
Na cirurgia, o cristalino opaco é retirado e substituído por uma lente intraocular (LIO) transparente. Produtos vendidos com a promessa de "dissolver" ou "tratar" a catarata não têm essa capacidade e, na prática, podem adiar o diagnóstico e o momento adequado de operar. Como funciona a cirurgia de catarata em Uberaba, da avaliação ao pós-operatório, está descrito no guia principal sobre o tema.
Só pessoa idosa tem catarata?
Não, embora a idade seja o principal fator de risco. A forma mais comum é a catarata relacionada ao envelhecimento natural do cristalino: segundo a American Academy of Ophthalmology (AAO), as alterações da lente começam depois dos 40 anos, e acima dos 60 é comum haver algum grau de opacificação, mesmo que a visão só seja afetada anos depois.
Existem, porém, cataratas que não dependem da idade: a congênita, presente desde o nascimento ou surgida na infância, e as associadas a diabetes mal controlado, a corticoides usados por longo tempo, por via oral ou em colírio, e a traumas oculares. Histórico familiar de catarata precoce, tabagismo e exposição à radiação ultravioleta sem proteção também pesam. Por isso, visão embaçada merece avaliação oftalmológica em qualquer idade.
Quais mitos sobre a cirurgia de catarata não se sustentam?
A maior parte dos mitos envolve a cirurgia: quando operar, como ela é planejada, o que esperar dos óculos e da recuperação. Em todos esses pontos, a resposta passa por uma avaliação individual, e não por uma regra que valha para todo mundo.
Catarata só pode ser operada quando está "madura"?
Não. Esse conceito é ultrapassado: o que define o momento da cirurgia é o impacto da baixa visual no dia a dia, em tarefas como leitura, direção ou reconhecimento de rostos, e não um grau extremo de opacificação. A orientação de aguardar o "amadurecimento" vem da técnica extracapsular, em que a catarata era removida sem ser fragmentada; com a facoemulsificação, essa espera deixou de fazer sentido, como explica a BRASCRS.
Esperar não traz vantagem: em estágios muito avançados, o cristalino opaco se torna mais denso, o que alonga o procedimento e costuma tornar a recuperação mais lenta. Os sinais que ajudam a definir o momento estão reunidos no conteúdo sobre quando operar a catarata.
A cirurgia de catarata é igual para todo mundo?
Não. A escolha da lente intraocular é individualizada, e o planejamento depende de exames específicos. O principal é a biometria, exame que mede o comprimento do olho e a curvatura da córnea, dados usados para calcular o grau da lente intraocular. A avaliação da curvatura também revela se há astigmatismo, situação em que uma lente tórica pode ser considerada.
Além das medidas, pesa na decisão a rotina de cada pessoa, como direção, leitura, trabalho no computador ou esporte. Duas pessoas com catarata semelhante podem, assim, receber planejamentos bem diferentes. As etapas desse preparo estão detalhadas nos exames da avaliação pré-operatória da catarata.
Depois da cirurgia de catarata, nunca mais vou precisar de óculos?
Nem sempre. A necessidade de óculos depois da cirurgia depende da lente intraocular escolhida e das expectativas discutidas antes do procedimento. As lentes monofocais corrigem uma distância principal, em geral a de longe, e mantêm o uso de óculos para perto.
As lentes premium, multifocais ou de foco estendido, procuram tornar os óculos menos necessários para longe e para perto. Mesmo assim, a BRASCRS diferencia independência dos óculos de ausência total de grau: com uma lente premium, certas atividades ainda podem pedir óculos. As diferenças entre as opções estão no comparativo de tipos de lente intraocular.
A catarata pode voltar depois de operada?
Não. O cristalino removido não retorna, e a lente intraocular colocada em seu lugar é artificial. Em alguns casos, porém, a cápsula, membrana que mantém a lente intraocular no lugar, pode ficar opaca: é a opacificação secundária da cápsula, chamada de "catarata secundária".
Quando essa opacificação atrapalha a visão, ela é facilmente tratada com um procedimento a laser ambulatorial e indolor, a capsulotomia, descrita pela AAO e pela BRASCRS. Não se trata de uma nova catarata, e sim de uma alteração da cápsula, que pode surgir anos depois da cirurgia. Os detalhes estão no guia de cirurgia de catarata em Uberaba.
Quem tem diabetes ou pressão alta pode operar catarata?
Ter diabetes, pressão alta ou outra doença crônica não impede, por si só, a cirurgia de catarata. Segundo a BRASCRS, a indicação depende do comprometimento da visão e de condições adequadas de recuperação depois do procedimento, e a saúde geral e ocular de cada pessoa influencia o resultado.
Por isso, o histórico clínico completo faz parte da avaliação pré-operatória. O que pesa é o controle dessas condições no momento do procedimento: um quadro descompensado pode pedir ajuste antes da cirurgia, não porque ela seja proibida, mas para definir o momento mais adequado. Com o diabetes descompensado, a opacificação do cristalino tende a avançar mais rápido e a recuperação da visão pode ser afetada; já o exame de fundo de olho confere retina e nervo óptico antes do procedimento. O objetivo dessa investigação é planejar a cirurgia, e não negá-la.
Depois da cirurgia, nunca mais posso fazer esforço físico?
Não. As restrições depois da cirurgia de catarata são temporárias e não significam repouso absoluto. Nos primeiros dias, o cuidado principal é proteger o olho operado, sem esfregá-lo e sem expô-lo a água contaminada, e as atividades, incluindo dirigir e usar telas, são retomadas de forma gradual.
O momento de voltar a exercícios, esportes ou atividades mais intensas é orientado nos retornos, conforme a evolução de cada olho; a BRASCRS reforça que as orientações de pós-operatório, como tempo de repouso e volta aos esportes, são específicas para cada caso. Os cuidados de cada fase estão detalhados em como é a recuperação após a cirurgia de catarata.
Por que desfazer os mitos sobre catarata importa?
Desfazer os mitos sobre catarata importa porque crenças equivocadas têm efeito prático: levam a adiar a consulta por medo da cirurgia, a apostar em tratamentos sem eficácia ou a criar expectativas que o resultado não vai atender. Informação clara é parte do cuidado, e é assim que a Dra. Giovanna Piccinini conduz cada consulta, com escuta das expectativas e dos receios de cada paciente, transparência e um planejamento individualizado.
Ainda assim, nenhum texto substitui o exame. A mesma informação pode levar a condutas diferentes, porque a decisão depende do exame clínico, das medidas do olho e da rotina de cada paciente. Embaçamento progressivo, piora da visão noturna, halos ao redor das luzes ou incômodo com a claridade são motivos para procurar uma avaliação oftalmológica.
Ficou com alguma dúvida sobre catarata ou sobre a cirurgia? Converse com a Dra. Giovanna Piccinini em uma avaliação.
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