O lacrimejamento constante incomoda, atrapalha a rotina e pode ser confundido com olho seco pelo próprio paciente. Nesta página, a Dra. Giovanna Piccinini, oftalmologista em Uberaba com fellowship em Plástica Ocular no Hospital Felício Rocho, explica como a obstrução da via lacrimal se manifesta, como ela é confirmada e quando o tratamento vai da sondagem à cirurgia da via lacrimal.
O que é a via lacrimal e para que serve?
A via lacrimal é o sistema de pequenos canais que drena a lágrima do canto interno do olho até o nariz. A lágrima produzida para lubrificar e proteger o olho não se acumula indefinidamente: depois de cobrir a superfície ocular, ela precisa ser escoada.
O trajeto começa nos pontos lacrimais, duas pequenas aberturas visíveis na borda interna das pálpebras superior e inferior. Dali, a lágrima passa pelos canalículos, canais finos dentro das pálpebras, chega ao saco lacrimal, localizado junto à lateral do nariz, e desce pelo ducto nasolacrimal até a cavidade nasal.
Quando algum ponto desse caminho está bloqueado, a lágrima não drena e transborda para o rosto. O lacrimejamento excessivo recebe o nome de epífora e, apesar de parecer uma queixa simples, pede investigação, porque outras condições produzem o mesmo sintoma com tratamentos completamente diferentes. As vias lacrimais estão entre as estruturas tratadas pela plástica ocular, subespecialidade da Oftalmologia dedicada também às pálpebras, às sobrancelhas e à órbita.
Quais são os sintomas da obstrução da via lacrimal?
O sintoma principal é o lacrimejamento constante, com lágrima escorrendo pela bochecha mesmo sem choro. Ele pode vir acompanhado de outros sinais:
- Lágrima que transborda para o rosto, em um ou nos dois olhos.
- Lacrimejamento que piora ao ar livre, no frio ou com vento.
- Necessidade frequente de enxugar o olho ao longo do dia.
- Visão momentaneamente embaçada pelo excesso de lágrima sobre o olho.
- Lágrima mais espessa e secreção no canto interno do olho, que pode secar e formar crostas nas pálpebras.
- Inchaço e vermelhidão ao lado do nariz, junto ao canto do olho, quando há infecção do saco lacrimal (dacriocistite).
Como diferenciar a obstrução da via lacrimal do olho seco e do ectrópio?
Os três quadros causam lacrimejamento, mas por mecanismos diferentes: na obstrução, a lágrima não consegue drenar; no olho seco, o olho reage ao ressecamento produzindo lágrima em excesso; e no ectrópio, a pálpebra virada para fora deixa a superfície ocular exposta. Identificar o mecanismo é o que define o tratamento.
| Condição | Por que o olho lacrimeja | Sinais que costumam acompanhar | Caminho do tratamento |
|---|---|---|---|
| Obstrução da via lacrimal | A lágrima é produzida normalmente, mas não drena para o nariz | Lágrima escorrendo pelo rosto, secreção no canto interno e, com infecção, inchaço ao lado do nariz | Teste de permeabilidade e, conforme a obstrução, sondagem ou cirurgia da via lacrimal |
| Olho seco | A lágrima é insuficiente ou de má qualidade, e o olho reage ao ressecamento com lacrimejamento paradoxal | Ardência e sensação de areia (detalhes na página de olho seco) | Tratamento conforme o tipo de olho seco, com lubrificação adequada e medidas ambientais |
| Ectrópio | A borda da pálpebra vira para fora e expõe a superfície ocular | Olho vermelho e lacrimejamento crônico | Correção cirúrgica com reposicionamento da borda palpebral |
Epífora não é sinônimo de olho seco, embora o próprio paciente possa confundir os dois. No olho seco, o problema está na quantidade ou na qualidade da lágrima. Na obstrução da via lacrimal, o problema está na drenagem de uma lágrima produzida normalmente. Já no ectrópio, a causa é a posição da pálpebra, tema detalhado na página sobre entrópio e ectrópio.
O que causa a obstrução da via lacrimal?
Em adultos, o canal pode ser estreitado ou lesado por inflamação, infecção, trauma ou tumor. Em bebês, o canal pode ainda não estar completamente desenvolvido ao nascer. Os principais fatores são:
- Estreitamento progressivo do canal ao longo dos anos, que reduz aos poucos a passagem da lágrima.
- Infecções e inflamações prévias na região, que podem deixar cicatrizes internas e diminuir o calibre do canal.
- Traumas no nariz ou na face, capazes de lesar o trajeto por onde a lágrima escoa.
- Tumores que atingem a via lacrimal, possibilidade que também entra na investigação.
- Alterações congênitas, mais comuns em recém-nascidos, quando o canal não está totalmente desenvolvido.
Qual a diferença entre obstrução congênita e adquirida?
A obstrução congênita aparece nas primeiras semanas de vida e, na maioria dos casos, se resolve sozinha até o primeiro ano. A obstrução adquirida surge ao longo da vida, e a evolução depende da causa e do tempo em que o canal está bloqueado.
No recém-nascido, o ducto nasolacrimal pode estar fechado ou coberto por uma membrana fina, o que provoca lacrimejamento e secreção logo nas primeiras semanas. Segundo a MedlinePlus, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), o canal costuma se abrir espontaneamente até o primeiro ano de vida, e a massagem local, quando orientada pelo oftalmologista, pode ajudar. Quando isso não acontece, a sondagem pode ser necessária.
Na obstrução adquirida, o canal se estreita por processos inflamatórios, infecciosos ou relacionados ao envelhecimento dos tecidos. Em adultos, a causa precisa ser identificada e tratada. Depois de um trauma no rosto, por exemplo, a American Academy of Ophthalmology (AAO) descreve que a drenagem muitas vezes volta a funcionar sozinha alguns meses depois, e a cirurgia pode ser adiada. Em outras situações, o bloqueio persiste. Por isso, o melhor caminho é investigar cada caso, sem presumir que o quadro vai melhorar sozinho nem que exige cirurgia de imediato.
Como é feito o diagnóstico da obstrução da via lacrimal?
O diagnóstico começa separando a obstrução de outras causas de lacrimejamento e é confirmado pelo teste de permeabilidade da via lacrimal, feito no consultório. A avaliação reúne:
- Histórico clínico: tempo de evolução, secreção associada, infecções de repetição na região, trauma facial, cirurgias nasais ou sinusais prévias e tratamentos em uso.
- Exame da superfície ocular e das pálpebras, para descartar olho seco ou alterações de posição palpebral, como o ectrópio.
- Teste de permeabilidade da via lacrimal, com irrigação do canal com soro para verificar se há passagem livre até o nariz e localizar o ponto da obstrução.
- Avaliação da região do saco lacrimal, em busca de sinais de inflamação, inchaço ou infecção.
O teste de permeabilidade se soma ao exame oftalmológico completo e, quando necessário, a outros exames oftalmológicos feitos na própria clínica. Cirurgias nasais ou sinusais anteriores e traumas na face também pesam no planejamento, porque alterações da anatomia do nariz podem interferir no trajeto da via lacrimal.
A investigação direcionada evita que uma obstrução seja tratada por muito tempo como olho seco. Pode acontecer de o próprio paciente atribuir o lacrimejamento ao ressecamento e usar colírios lubrificantes sem melhora, já que eles não desfazem um bloqueio mecânico da drenagem. Como os dois quadros têm causa e tratamento completamente diferentes, é o teste de permeabilidade que esclarece a origem do sintoma.
Quando a sondagem basta e quando a cirurgia da via lacrimal é indicada?
A sondagem pode resolver obstruções parciais; nos casos de obstrução mais significativa, o tratamento passa a ser a cirurgia da via lacrimal. A escolha depende do grau e do local do bloqueio identificados no teste de permeabilidade.
Sondagem da via lacrimal
É um procedimento menos invasivo, no qual uma sonda fina percorre o trajeto da lágrima para desobstruir o canal e restabelecer a drenagem. Em adultos, a AAO descreve a sondagem, associada à dilatação dos pontos lacrimais e à irrigação com soro, como opção para obstrução parcial do ducto ou estreitamento parcial dos pontos lacrimais.
Cirurgia da via lacrimal (dacriocistorrinostomia)
Nas obstruções mais significativas, como as completas, as de longa evolução ou as que não melhoraram com a sondagem, a cirurgia cria uma nova comunicação entre o saco lacrimal e a cavidade nasal, contornando o ponto obstruído para que a lágrima volte a escoar. O procedimento se chama dacriocistorrinostomia (DCR) e, segundo a AAO, é o procedimento usado na maioria dos casos de obstrução em adultos.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO) descreve a via externa, com uma pequena incisão na pele da região entre o olho e o nariz, e a via endonasal, feita por dentro do nariz, preferencialmente com auxílio de endoscópio. A abordagem é definida individualmente, conforme a anatomia, a causa e o local da obstrução identificados na avaliação. A cirurgia da via lacrimal faz parte do conjunto de procedimentos de plástica ocular, ao lado das cirurgias das pálpebras.
| Aspecto | Sondagem da via lacrimal | Cirurgia da via lacrimal (DCR) |
|---|---|---|
| Quando é considerada | Obstrução parcial | Obstrução mais significativa (completa, de longa evolução ou sem resposta à sondagem) |
| O que é feito | Uma sonda fina percorre o canal para desobstruí-lo | Cria uma nova comunicação entre o saco lacrimal e a cavidade nasal |
| Invasividade | Procedimento menos invasivo | Cirurgia, por via externa ou endonasal |
| Como se decide | Pelo grau e pelo local da obstrução identificados no teste de permeabilidade | |
| Depois do procedimento | Consultas de retorno programadas para acompanhar a resolução do lacrimejamento | |
Recuperação e acompanhamento
A recuperação costuma envolver alguns dias de inchaço e sensibilidade leve na região operada, com retorno às atividades cotidianas em poucos dias. Segundo a AAO, pequenos tubos costumam ser deixados no novo trajeto durante a cicatrização e retirados alguns meses depois. A evolução é acompanhada em consultas de retorno programadas, que observam a resolução do lacrimejamento e a ausência de sinais de nova obstrução.
O que acontece se a obstrução da via lacrimal não for tratada?
Além do incômodo do lacrimejamento, a lágrima parada favorece o acúmulo de secreção no saco lacrimal e aumenta a chance de infecções, como a dacriocistite, infecção do saco lacrimal, e a conjuntivite.
A dacriocistite costuma aparecer como um caroço ao lado do nariz, junto ao canto do olho, que pode evoluir com dor e inchaço. O tratamento é orientado pelo médico e, segundo a MedlinePlus, costuma envolver antibiótico e, às vezes, a drenagem do saco lacrimal. Inchaço, vermelhidão e dor no canto interno do olho, próximo ao nariz, merecem avaliação médica sem demora. A mesma fonte observa que o tratamento feito mais cedo tende a ter mais sucesso.
Quando procurar avaliação da via lacrimal em Uberaba?
Vale procurar uma oftalmologista em Uberaba quando o lacrimejamento se torna constante ou vem acompanhado de secreção ou inchaço no canto do olho, principalmente nestas situações:
- Lacrimejamento constante em um ou nos dois olhos, sem melhora com colírios comuns.
- Secreção recorrente no canto interno do olho.
- Inchaço ou vermelhidão próxima ao nariz, no canto do olho.
- Necessidade frequente de enxugar o rosto por excesso de lágrima.
A Dra. Giovanna Piccinini realiza a avaliação completa da via lacrimal, incluindo o teste de permeabilidade, na Clínica de Olhos de Uberaba, no Bairro Santa Maria, que conta com bloco cirúrgico próprio para os procedimentos, quando indicados. As orientações para agendar a consulta oftalmológica e o que levar estão em uma página própria.
Para investigar um lacrimejamento constante, agende a avaliação da via lacrimal com a Dra. Giovanna Piccinini.
Agendar pelo WhatsApp