Calázio e Terçol em Uberaba: Diferença, Tratamento e Quando Procurar a Oftalmologista

Calázio e terçol em Uberaba: entenda a diferença, os cuidados iniciais e quando a drenagem é indicada, com a oftalmologista Dra. Giovanna Piccinini.

Atualizado em | Revisado por Dra. Giovanna Piccinini, CRM 32619/MG | RQE 29156

O terçol (hordéolo) é uma infecção aguda, geralmente dolorosa, de uma glândula na borda da pálpebra; o calázio é uma inflamação crônica, geralmente indolor, que forma um nódulo e pode persistir por semanas. Em Uberaba, a oftalmologista Dra. Giovanna Piccinini trata os dois quadros com compressas mornas e higiene palpebral nos casos iniciais e indica drenagem cirúrgica ambulatorial quando o calázio persiste sem responder ao tratamento clínico.

Uma "bolinha" que surge na pálpebra costuma trazer a dúvida entre calázio e terçol (hordéolo), dois quadros ligados às glândulas da pálpebra, mas com origens e cuidados diferentes. Nesta página, a Dra. Giovanna Piccinini, oftalmologista em Uberaba, explica como diferenciar os dois, quais cuidados iniciais costumam ser orientados, quando a drenagem é indicada e em que momento vale procurar avaliação.

O que são calázio e terçol?

Calázio e terçol são inflamações das pequenas glândulas da pálpebra, mas com origens diferentes. Essas glândulas produzem parte da lágrima e lubrificam a borda onde nascem os cílios; quando uma delas entope ou se inflama, surge um nódulo ou inchaço localizado. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO), uma "bolinha" na pálpebra pode ter várias causas, e o terçol e o calázio estão entre elas.

O terçol é uma infecção aguda de uma glândula localizada perto da borda palpebral, na maior parte das vezes causada por bactérias, segundo a American Academy of Ophthalmology (AAO). Surge de forma rápida, com dor, vermelhidão e inchaço localizados; quando começa na base de um cílio, forma um pequeno nódulo avermelhado, às vezes com ponto de pus, na descrição da AAO. Já o calázio é uma inflamação crônica de uma glândula mais profunda da pálpebra: geralmente sem dor importante, forma um nódulo firme e palpável e pode persistir por semanas se não for tratado adequadamente.

Calázio x terçol: principais diferenças
CaracterísticaTerçol (hordéolo)Calázio
NaturezaInfecção aguda, na maioria das vezes bacterianaInflamação crônica causada pela obstrução de uma glândula de óleo
Glândula envolvidaGlândulas de Zeis ou de Moll, na base dos cílios (terçol externo), ou uma glândula de Meibômio (terçol interno)Principalmente as glândulas de Meibômio, mais profundas, na placa tarsal
LocalizaçãoBorda da pálpebra (terçol externo) ou face interna da pálpebra (terçol interno)Mais para dentro da pálpebra, afastado da borda
DorGeralmente dolorosa, com sensibilidade ao toqueGeralmente indolor ou com desconforto leve
Início e evoluçãoRápido, com sinais inflamatórios evidentes em poucos dias; pode drenar sozinho ou deixar um calázioLento, ao longo de dias ou semanas; pode persistir por semanas
Cuidados iniciaisCompressas mornas e higiene palpebral; antibiótico só com prescrição, quando há sinais de infecçãoCompressas mornas e higiene palpebral
Quando se considera a drenagemQuando não melhora ou afeta a visãoQuando persiste sem responder ao tratamento clínico, cresce ou afeta a visão

Quais glândulas da pálpebra estão envolvidas?

O calázio e o terçol envolvem glândulas diferentes da pálpebra. Essa diferença explica por que o calázio, resultado de uma obstrução com inflamação em torno da secreção retida, tende a ser indolor e persistente, enquanto o terçol se comporta como infecção, com sinais inflamatórios mais evidentes e evolução mais rápida.

As glândulas de Meibômio ficam mais profundas, na placa tarsal, e produzem a camada oleosa da lágrima. São as mais envolvidas no calázio: quando o ducto de drenagem de uma delas entope, a secreção se acumula e provoca uma reação inflamatória granulomatosa ao redor do material retido. As glândulas de Zeis e de Moll, mais superficiais e associadas à base dos cílios, são as atingidas no terçol externo, que aparece junto à margem palpebral; o terçol interno envolve uma glândula de Meibômio, como descreve o StatPearls, publicação médica do NCBI (NIH).

Quais são os sintomas do terçol?

O terçol costuma se manifestar de forma rápida, com dor e inchaço concentrados em um ponto da borda da pálpebra. Os sinais incluem:

  • Dor localizada na pálpebra, geralmente de início rápido.
  • Vermelhidão e inchaço concentrados em um ponto específico da borda palpebral.
  • Sensibilidade ao toque na área afetada.
  • Pequeno ponto amarelado de pus, que pode se formar conforme a lesão evolui.
  • Sensação de peso ou incômodo ao piscar, quando o inchaço é mais volumoso.

Quais são os sintomas do calázio?

O calázio costuma aparecer como um nódulo firme e pouco doloroso, que cresce devagar e pode passar despercebido no início. Com o tempo, podem surgir:

  • Nódulo firme e palpável na pálpebra, geralmente indolor ou com desconforto leve.
  • Crescimento lento, ao longo de dias ou semanas.
  • Vermelhidão e inchaço à medida que o nódulo aumenta, às vezes com sensibilidade ao toque.
  • Sensação de peso na pálpebra, especialmente em calázios maiores.
  • Visão embaçada, em casos raros, quando o calázio é grande o bastante para pressionar o olho.
  • Persistência por semanas, mesmo sem sinais de infecção ativa.

Um mesmo episódio pode começar como terçol, com dor e vermelhidão, e evoluir para um calázio residual, que permanece como um nódulo indolor mesmo depois que a fase aguda de infecção já passou.

O que aumenta a chance de ter calázio ou terçol?

Qualquer pessoa pode ter calázio ou terçol, mas alguns fatores deixam as glândulas da pálpebra mais sujeitas à obstrução ou à infecção:

  • Obstrução das glândulas palpebrais, causa direta do calázio e fator que também favorece o terçol.
  • Blefarite, inflamação da borda das pálpebras que, segundo a AAO, aumenta o risco dos dois quadros e se associa a episódios recorrentes.
  • Episódio anterior de calázio ou terçol, outro fator de risco listado pela AAO.
  • Condições de pele, como rosácea e dermatite seborreica, também citadas pela AAO.
  • Diabetes e outros problemas de saúde, incluídos pela AAO entre os fatores de risco.
  • Higiene palpebral inadequada, incluindo resíduos de maquiagem não removidos corretamente.
  • Alterações na qualidade da secreção das glândulas, que tornam a obstrução mais frequente em algumas pessoas.
  • Coçar ou esfregar os olhos, hábito que, segundo a SBCPO, pode agravar a irritação e facilitar a disseminação de infecções.

Como é feito o diagnóstico de calázio e terçol?

O diagnóstico é clínico, feito pela oftalmologista no exame direto da pálpebra; exames complementares ficam reservados a situações específicas. A investigação, porém, vai além de identificar o nódulo isolado:

  • Histórico clínico: tempo de evolução, presença de dor, episódios anteriores semelhantes e frequência de recorrência.
  • Exame da borda palpebral, avaliando sinais de blefarite crônica, frequentemente relacionada aos casos recorrentes.
  • Avaliação da visão e da córnea, em calázios maiores, para verificar se o nódulo pressiona o olho e altera temporariamente a visão.
  • Diferenciação com outras lesões palpebrais, importante em nódulos atípicos, de crescimento persistente ou que não respondem ao tratamento habitual.

Quando o calázio ou o terçol volta repetidamente, a AAO descreve a possibilidade de biópsia, a retirada de uma pequena amostra de tecido para análise, a fim de investigar se outra alteração está por trás dos episódios. Os sinais que diferenciam essas lesões estão detalhados na página sobre tumores palpebrais em Uberaba.

Como é o tratamento do calázio e do terçol?

O tratamento varia desde compressas mornas e higiene palpebral, nos casos iniciais, até a drenagem cirúrgica ambulatorial, reservada aos calázios persistentes que não respondem ao tratamento clínico.

Quais são os cuidados iniciais?

A primeira linha de cuidado, tanto para o calázio quanto para o terçol, envolve compressas mornas aplicadas várias vezes ao dia, massagem suave ao redor da lesão quando orientada e higiene palpebral, com remoção completa da maquiagem e limpeza regular da borda da pálpebra. Durante o episódio, a AAO também orienta suspender a maquiagem na região dos olhos e o uso de lentes de contato. Em terçóis com sinais importantes de infecção, a oftalmologista pode prescrever pomada ou colírio antibiótico, com a escolha e o modo de uso definidos na consulta.

No calázio, segundo a AAO, o calor da compressa ajuda a glândula obstruída a se abrir e drenar. Para ter efeito, a compressa precisa manter a região aquecida, sem ficar quente a ponto de queimar a pele, e ser reaquecida quando esfriar; uma passada rápida de poucos segundos não cumpre esse papel. A AAO descreve compressas de cerca de 10 a 15 minutos, de três a cinco vezes ao dia; o tempo e a frequência adequados a cada caso são confirmados na consulta, e a SBCPO recomenda que esse cuidado seja feito com orientação médica prévia.

Quando o calázio precisa de drenagem?

A drenagem cirúrgica ambulatorial é indicada para o calázio que persiste por semanas sem responder ao tratamento clínico, que aumenta de tamanho ou que chega a afetar a visão. O procedimento é feito em ambiente ambulatorial, sob anestesia local, com remoção do conteúdo inflamatório acumulado dentro da glândula obstruída, como descreve a AAO; os procedimentos na pálpebra estão reunidos na página de cirurgia palpebral em Uberaba.

Em calázios muito inchados, a AAO cita ainda a aplicação local de corticoide pela oftalmologista para reduzir o inchaço. Em alguns casos, a aplicação local de corticoide também pode ser associada à drenagem; a indicação é individual. Essas possibilidades, assim como a própria drenagem, dependem do exame e são decididas na consulta. Por envolver a pálpebra, a drenagem faz parte da área da plástica ocular, subespecialidade em que a Dra. Giovanna Piccinini fez fellowship no Hospital Felício Rocho.

Como evitar que o calázio ou o terçol volte?

Em quem tem episódios repetidos, a prevenção depende menos de um tratamento isolado e mais de uma rotina contínua de cuidado com a borda da pálpebra.

Essa rotina inclui a limpeza diária da margem dos cílios com produtos apropriados, a remoção completa da maquiagem antes de dormir e, quando há blefarite associada, compressas mornas de manutenção mesmo fora dos períodos de crise, conforme orientação, para manter as glândulas de Meibômio funcionando com secreção mais fluida.

Pessoas com blefarite crônica, rosácea ou dermatite seborreica tendem a se beneficiar de uma reavaliação periódica dessa rotina, já que a tendência à obstrução das glândulas costuma persistir além de um episódio isolado. A orientação individualizada evita tanto o excesso de manipulação da pálpebra quanto a interrupção dos cuidados. Como as glândulas de Meibômio também participam do olho seco, os dois quadros podem ser avaliados em conjunto.

Por que não espremer o terçol nem usar remédio por conta própria?

Espremer, furar ou tentar drenar o calázio ou o terçol em casa pode espalhar a infecção pela pálpebra, segundo a AAO, e ferir a pálpebra ou até o globo ocular, como alerta a SBCPO. A mesma sociedade orienta que colírios, pomadas e antibióticos sejam usados apenas com prescrição do oftalmologista, nunca por iniciativa própria.

Sem o tratamento adequado, o calázio pode persistir por semanas. No terçol, o StatPearls descreve que a infecção não tratada pode evoluir para um calázio ou se estender aos tecidos ao redor do olho, quadro chamado de celulite pré-septal. Por isso, o terçol que piora ou se espalha pela pálpebra merece avaliação oftalmológica.

Quando procurar a oftalmologista em Uberaba?

Vale procurar avaliação oftalmológica quando o nódulo na pálpebra não melhora com os cuidados iniciais, volta com frequência ou vem acompanhado de alteração da visão. Considere agendar uma consulta se você percebe:

  • Episódios frequentes de calázio ou terçol no mesmo olho.
  • Dor, vermelhidão e inchaço que pioram progressivamente.
  • Nódulo que muda de aspecto.

Procure atendimento oftalmológico sem demora se a lesão vier acompanhada de alteração na visão, vermelhidão intensa com secreção no olho, sangramento espontâneo, dor que piora com o tempo, crescimento progressivo (mesmo sem dor) ou ausência de melhora após cerca de duas semanas de cuidados básicos, situações que a SBCPO indica para avaliação o quanto antes.

Calázio e terçol fazem parte das alterações mais frequentes do dia a dia tratadas pela Dra. Giovanna Piccinini, e merecem avaliação adequada para evitar recorrência e complicações. O atendimento é na Clínica de Olhos de Uberaba, na Av. Santos Dumont, 1424, Bairro Santa Maria, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, com estrutura oftalmológica completa e bloco cirúrgico próprio no mesmo endereço. Para saber o que é avaliado no exame, veja como funciona a consulta oftalmológica em Uberaba.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre calázio e terçol?

O terçol é uma infecção aguda de uma glândula na borda da pálpebra: aparece de forma rápida e costuma doer. O calázio vem da obstrução de uma glândula mais profunda, em geral não dói e forma um nódulo firme que pode durar semanas. Um terçol interno, depois que a infecção cede, pode deixar um calázio no mesmo ponto.

Calázio e terçol sempre precisam de cirurgia?

Não. Nos casos iniciais, o tratamento começa com compressas mornas e higiene palpebral, conforme a orientação da oftalmologista. A drenagem cirúrgica ambulatorial fica reservada ao calázio que continua presente sem resposta ao tratamento clínico, que aumenta de tamanho ou que chega a atrapalhar a visão.

Posso estourar o calázio ou o terçol em casa?

Não é recomendado. Apertar ou furar a lesão pode levar a infecção para outras áreas da pálpebra e machucar a pálpebra ou o próprio olho. Quando a drenagem é necessária, ela é feita pela oftalmologista, em ambiente ambulatorial e com anestesia local.

Posso usar pomada antibiótica por conta própria no terçol?

Não. Pomadas, colírios e antibióticos devem ser usados apenas com prescrição do oftalmologista, como orienta a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO). O antibiótico é uma possibilidade no terçol com sinais de infecção, e a decisão sobre usá-lo é tomada na consulta, caso a caso.

Por que o calázio ou o terçol voltam sempre no mesmo lugar?

Os episódios repetidos costumam estar ligados a condições que favorecem a obstrução das glândulas da pálpebra, como blefarite, rosácea ou dermatite seborreica. Além de tratar o episódio atual, a oftalmologista orienta uma rotina de higiene palpebral de manutenção e, quando a lesão se repete no mesmo ponto, pode indicar biópsia para investigar a causa.

Posso usar maquiagem ou lente de contato com terçol ou calázio?

Enquanto houver terçol ou calázio, a American Academy of Ophthalmology orienta evitar maquiagem nos olhos e lentes de contato. Depois da melhora, retirar bem a maquiagem antes de dormir faz parte da higiene palpebral que ajuda a reduzir novos episódios.

Quando um nódulo na pálpebra deixa de ser calázio e passa a preocupar mais?

Quando o nódulo cresce de forma progressiva, sangra, muda de aspecto ou não responde a nenhum tratamento habitual. Nessas situações, a avaliação passa a considerar outras lesões da pálpebra além do calázio comum, algumas das quais exigem investigação específica, como a biópsia.

Fontes e referências

Dra. Giovanna Piccinini — Formação e Credenciais

A Dra. Giovanna Piccinini é médica oftalmologista, com quase três décadas de Medicina e atuação especializada em cirurgia de catarata, plástica ocular e saúde ocular preventiva, cofundadora da Clínica de Olhos de Uberaba.

  • Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), 1998.
  • Residência médica no Centro Oftalmológico de Minas Gerais (COMG).
  • Fellowship em Plástica Ocular no Hospital Felício Rocho, sob orientação dos Drs. Eduardo Soares e Valério Pérez.
  • CRM 32619/MG | RQE 29156.

Todo o conteúdo desta página foi revisado e aprovado pela Dra. Giovanna Piccinini. As informações têm finalidade exclusivamente educativa e não substituem uma avaliação médica individualizada.

As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consulta médica, diagnóstico individualizado ou atendimento de urgência e emergência. Em caso de dor ocular intensa, perda súbita da visão ou trauma no olho, procure atendimento oftalmológico imediatamente.

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